Rabanada de Cappuccino

Certa vez passei o natal em Portugal na casa de um amigo e ele se gabava, afirmando que sua mãe fazia a melhor rabanada (sobremesa feita com pão) de todos os tempos. Para mim, a história não era bem assim. Doce demais para meu gosto. Intrigada pela competição, como estava fazendo uma viagem por quase todas as regiões de Portugal, decidi conferir as receitas de rabanada em cada lugar que passava. Conclui que todas as mães portuguesas fazem a melhor rabanada de todos os tempos, de acordo com seus respectivos filhos… é claro!

12   Rabanada de Cappuccino

Aprendi também que esse doce natalino varia com os ingredientes da região. Na região do Minho, por exemplo, as fatias de pães são molhadas no vinho verde. No Porto, obviamente, utiliza-se o vinho do Porto. Nota-se que a receita é decididamente uma “obra aberta” e com muitas versões. Por isso, fui direto à fonte para encontrar uma bem simples e saborosa: o blog português PTITCHEF. Não só me deparei com mais de 150 receitas, como me deliciei com os textos postados pelos nossos irmãozinhos europeus, os quais praticam um senso de humor insuspeitado com uma ingenuidade singela.

Muitas vezes, as receitas começam assim: “corte um cacete (nome do pão) de véspera…”. Os outros títulos da rabanada também são poéticos: fatia dourada, fatia de parida. O engraçado é que se pode utilizar inúmeros preparos: assada, no vapor, light (hein?), recheada, salgada, mas nenhuma com cappuccino!

Valeu experimentar, pois ficou deliciosa. A origem desta receita está no livro de Apicio e nos EUA é chamada de French toast. Feita com pão de forma, de francesa só se tem nome. Parece que Joseph French, um dono de taverna em Albany criou a versão americana em 1724. Vai saber…No entanto, só os portugueses e alguns brasileiros a elegeram como quitutes de Natal.

Receita de Rabanada de Cappuccino
Tempo de preparo: ½ hora
Rendimento: 10 porções.

22   Rabanada de CappuccinoIngredientes
• 10 fatias de pão francês amanhecido cortado em diagonal
• 300/500 ml de leite
• 3 ovos
• 3 colheres (sopa) de Cappuccino 3 corações Classic
• 1 colher (chá) de baunilha
• Raspas de limão
• Óleo para fritar
• Canela em pó e açúcar para salpicar por cima

32   Rabanada de CappuccinoModo de Preparo
Coloque o leite em uma panela, adicione as raspas de limão, a baunilha e o cappuccino. Misture bem com um fuet e deixe o leite aquecer um pouco (ficar morno). Atenção: não é necessário ferver!


42   Rabanada de CappuccinoEnquanto o leite esquenta, bata bem os ovos em um bowl (recipiente). Passe as fatias de pão na mistura do leite, mas não deixe empapar muito.


52   Rabanada de CappuccinoDepois, passe pelos ovos.


62   Rabanada de CappuccinoDepois de deixar o pão umedecido com o leite e com o ovo batido, frite-o em óleo quente.


72   Rabanada de CappuccinoColoque as fatias num papel absorvente e salpique açúcar e canela em pó.

Dicas:
1 – A quantidade de leite é variável, depende do tamanho das fatias.
2 – A espessura das fatias é de mais ou menos 3cm.
3 – Sempre use pão amanhecido.


Escrito por em Doces e sobremesas, Festividades, Receitas, Receitas com Café

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rhminoda:

É estranho. Cada vez que leio os posts da Stela, sou levado para lugares diferentes. Depois de ler a "Rabanada de Cappuccino", fui direto do Minho e do Porto para o bairro do Peixoto, em Copacabana, quando, ainda adolescente, entrei naquelas padarias típicas cariocas e pedi uma rabanada, coisa então rara no interior paulista, onde nasci, me criei e moro até hoje. E o aroma incisivo de canela com açúcar, um fundinho aveludado de leite, o som dos cristais de açúcar rangendo em meus dentes, o gosto do leite com canela e fritura se espalhando pela língua. Para finalizar, uma golada de um café de bule da padaria simples de bairro. Foi perfeito para aquela manhã radiante como a canela, o frescor da brisa como o leite com açúcar, o leve frenesi do Peixoto nas proximidades da Siqueira Campos como a fritura da rabanada... E o café? A mistura dos portugueses com a bela morenice carioca. Pode até ser um pecado gastronômico, mas que pecado bom...

    kellystein:

    Que texto lindo! Certamente falamos a mesma língua: a dos sentidos; aqueles que instigados reacendem memórias e trazem todas nossas vivências para o presente. Obrigada. Stela

ADRIANA MOREIRA:

AH! COM CERTEZA AS NOSSAS MELHORES MEMORIAS ESTAÕ ENVOLTAS DESSES MOMENTOS ONDE O NOSSOS SENTIDOS CAPTAM ATRAVÉS DE RECEPTORES ESPECIFICOS GOSTOS,CHEIROS, SONS QUE LEVAREMOS PARA O RESTO DA VIDA. MOMENTOS TÃO DIFICIES DE SE REPETIR QUE QUANDO NOS DEPARAMOS COM INSTANTES SEMEHANTES TRÁS A MEMORIA AQUELE MOMENTO UNICO E SENTIMOS UM BEM ESTAR INCRIVEL..........

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